24/01/2017
PGR prorroga grupo de trabalho dedicado à Lava Jato
A Procuradoria-Geral da República expediu portaria para prorrogar, pelo prazo de seis meses, o grupo de trabalho para o auxiliar o procurador-geral da República na análise dos desdobramentos do caso conhecido como Operação Lava Jato, em trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF).
Integram o grupo de trabalho dez membros efetivos: os procuradores da República Anna Carolina Resende Maria Garcia, Daniel de Resende Salgado, Fernando Antonio de Alencar Alves de Oliveira Júnior, Maria Clara Barros Noleto, Melina Castro Montoya Flores, Pedro Jorge do Nascimento Costa, Rodrigo Telles de Souza, Ronaldo Pinheiro de Queiroz e os promotores de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios Sergio Bruno Cabral Fernandes e Wilton Queiroz de Lima. A coordenação do GT será do promotor de Justiça Sergio Bruno Cabral Fernandes.
Assinada pelo procurador-geral da República em exercício na data, José Bonifácio, a Portaria PGR/MPU nº 4, de 17 de janeiro de 2017, foi publicada no Diário Oficial da União do dia 19 de janeiro, Seção 2, página 51.
29/12/2016
Lava Jato: força-tarefa do MPF/PR intensificou os trabalhos em 2016
Em quase três anos de investigação intensa, o ano de 2016 termina como sendo o mais produtivo da força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (MPF-PR) em sua atuação na apuração dos crimes cometidos por inúmeros investigados que fizeram parte do megaesquema de desvio de recursos públicos da Petrobras e de outros órgãos da administração federal.
Durante todo o ano, foram deflagradas 17 operações e oferecidas 20 denúncias contra acusados pelos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, dentre outros, superando as atividades registradas em 2015 (15 operações e 15 denúncias) e 2014 (8 operações e 17 denúncias, sem considerar as 4 ações penais relacionadas ao Caso Banestado que foram reativadas a partir da quebra de acordo do doleiro Alberto Youssef). Entre os trabalhos desenvolvidos ocorreu a primeira ação coordenada entre as forças-tarefas das procuradorias da República no Paraná e no Rio de Janeiro, que culminou na prisão do ex-governador do estado fluminense, Sérgio Cabral, em 17 de novembro.
Esses números indicam a intensificação, neste ano, dos trabalhos da equipe da força-tarefa, ao lado da Polícia e da Receita Federal, expressando o firme compromisso dessa equipe de investigar e processar todos os crimes relacionados ao maior escândalo de corrupção da história do país.
Também em 2016 ocorreu a maior devolução de recursos já feita pela justiça criminal brasileira para uma vítima. Em cerimônia realizada no auditório do MPF/PR, em Curitiba, no dia 18 de novembro, foram devolvidos R$ 204.281.741,92 aos cofres da Petrobras. Os valores foram obtidos por meio de acordos de colaboração celebrados pelo Ministério Público Federal com pessoas físicas e jurídicas no âmbito da operação. A quantia refere-se a 21 acordos fechados com a força-tarefa Lava Jato, sendo 18 de colaboração premiada com pessoas físicas e 3 acordos de leniência com pessoas jurídicas. Esta foi a terceira restituição realizada para a Petrobras no âmbito da operação. No total, o montante já devolvido à estatal chega a aproximadamente R$ 500 milhões.
Atualização de dados
Em quase três anos de Operação Lava Jato, já foram deflagradas 37 operações, com 1.434 procedimentos instaurados. Foram cumpridos 103 mandados de prisão temporária, 79 mandados de prisões preventivas, 6 prisões em flagrante, 730 mandados de busca e apreensão e 197 mandados de condução coercitiva. As prisões antes do fim do processo são decretadas e mantidas apenas de modo excepcional, quando autorizadas por lei e estritamente necessárias para a investigação e a proteção da sociedade. Em dois momentos distintos da Lava Jato, neste último ano, apenas entre 8 e 9% dos acusados eram mantidos presos e só 3% estavam presos sem já estarem condenados por sentença.
Até o momento, foram fechados 71 acordos de colaboração premiada com pessoas físicas e 7 acordos de leniência com pessoas jurídicas, além de 1 Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) – considerando apenas acordos homologados. Mais de 70% dos acordos foram celebrados com investigados quando eles se encontravam em liberdade. Durante os trabalhos também foram realizados 120 pedidos de cooperação internacional, sendo 98 pedidos ativos para 31 países e 22 pedidos passivos para 13 países.
As investigações mediante coleta de depoimentos, buscas, quebras de sigilo, pedidos de cooperação e colaborações premiadas conduziram a 56 denúncias (acusações criminais) contra 259 pessoas (sem repetição de nomes), sendo que em 24 das ações penais já houve sentença. Até dezembro de 2016, são 120 condenações, contabilizando 1.267 anos, 2 meses e 1 dia de pena. Os crimes revelados relacionam-se com propinas pagas superiores a R$ 6,4 bilhões e com prejuízos que podem ter ultrapassado R$ 40 bilhões. Cerca de R$ 10,1 bilhões já são alvo de recuperação por acordos de colaboração feitos pelo MPF – isto é, foram ou serão devolvidos voluntariamente pelos criminosos –, sendo que R$ 756,9 milhões são objeto de repatriação. Outros R$ 3,2 bilhões de bens de réus já foram bloqueados.
Desfiguração das 10 medidas e ofensivas contra a operação
Ao mesmo tempo em que se verificou uma intensificação da investigação no ano de 2016, paralelamente também se observou uma exacerbação dos ataques feitos à operação, especialmente no fim do ano, quando surgiram notícias sobre acordos de colaboração com potencial de apontar crimes praticados por políticos influentes.
Verificou-se que um projeto de iniciativa popular que tinha por objetivo combater a corrupção (“10 medidas contra a corrupção”) foi desfigurado para atingir um objetivo oposto. No Plenário da Câmara dos Deputados, houve alterações claramente retaliatórias, buscando estabelecer uma lei de abuso de autoridade que na verdade permitiria reprimir a atividade legítima de investigação, acusação e julgamento no âmbito criminal, cerceando a independência do Poder Judiciário e do Ministério Público.
Além disso, outras iniciativas foram apresentadas no Congresso com o intuito de abrir a possibilidade de impunidade para crimes graves, entre eles as propostas de alteração na Lei de Repatriação de Recursos (Lei 13.254/16), a tentativa de aprovar a anistia para crimes de corrupção e lavagem praticados no âmbito da Lava Jato – que se noticiou que seria inserida também na lei anticorrupção – e a tentativa de aprovar requerimento para votar em regime de urgência o Projeto de Lei 3.636/2015, que modifica regras de acordos de leniência, no âmbito do qual se incluiria um texto de uma emenda que circulou e anistiava crimes de corrupção e lavagem quando o Poder Público celebrasse acordos administrativos com empresas.
Para Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa no MPF/PR, “o inusitado na Lava Jato é que são investigados alguns políticos poderosos que podem influenciar o conteúdo da lei. Isso coloca duas perguntas que 2017 responderá. Primeiro, os políticos permitirão que a lei, que está em suas mãos, seja usada para a sua própria punição? Em outras palavras, os políticos investigados conseguirão aprovar leis para frear as investigações e retaliar os investigadores? Segundo, a sociedade permitirá que os políticos corruptos alcancem impunidade? Apenas a sociedade poderá proteger a Lava jato de ataques legislativos, como aqueles que aconteceram na Itália, na operação Mãos Limpas. Apenas a sociedade poderá levar o país na direção certa, com reformas políticas e do sistema de justiça que previnam novos escândalos de corrupção e nos coloquem nos trilhos do desenvolvimento econômico e social. Nesse processo, os vários parlamentares honestos serão importantes aliados. Viramos o ano com a expectativa de que a sociedade escreverá um 2017 com final feliz”.
O procurador Orlando Martello ressalta que “a preocupação com a corrupção é também econômica. Estudos mundiais revelam que, se queremos uma economia forte, precisamos passar pela diminuição dos índices de corrupção. Dizer que o combate à corrupção prejudica a economia não só ignora as reais causas da crise como também que o caminho para o desenvolvimento econômico e social passa pelo enfrentamento desse mal. É descabido colocar a culpa da patologia no fármaco”. Comentando os acordos de leniência, afirma ainda que “os acordos feitos pelo Ministério Público, em paralelo a um firme combate à corrupção, estimulam o desenvolvimento das relações de mercado de um modo sadio. Embora seu objetivo principal seja descobrir e comprovar crimes, os acordos de leniência permitem não só o restabelecimento das empresas e a perpetuação dos empregos, como também propiciam uma concorrência real e fomentam a inovação que favorece empresas mais eficientes, que estarão mais aptas a competir inclusive no cenário global”.
Lava Jato – Acompanhe todas as informações oficiais do MPF sobre a Operação Lava Jato no site www.lavajato.mpf.mp.br.
10 Medidas – O combate à corrupção é um compromisso do Ministério Público Federal. Para que a prevenção e o combate à corrupção existam de modo efetivo, o MPF apresentou ao Congresso Nacional um conjunto de dez medidas distribuídas em três frentes: prevenir a corrupção (implementação de controles internos, transparência, auditorias, estudos e pesquisas de percepção, educação, conscientização e marketing); sancionar os corruptos com penas apropriadas e acabar com a impunidade; criar instrumentos para a recuperação satisfatória do dinheiro desviado. Saiba mais em www.dezmedidas.mpf.mp.br.
07/12/2016
Rede de Controle da Gestão Pública apresenta resultados e desafios na fiscalização de contas no Amazonas
Em alusão ao Dia Internacional Contra a Corrupção, órgãos que integram a Rede de Controle da Gestão Pública estiveram reunidos nesta quarta-feira, 7 de dezembro, no auditório Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), para apresentar à sociedade os resultados e desafios enfrentados na fiscalização das contas públicas no estado. A importância do controle social exercido pelo cidadão e a discussão sobre as 10 Medidas contra a Corrupção foram as principais pautas do evento.
"Esta é uma oportunidade em que os órgãos de controle têm para dialogar e mostrar para a sociedade a importância de encarar o fenômeno da corrupção com toda a seriedade e com toda gravidade que representa", destaca o procurador-chefe do Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM), Edmilson Barreiros.
Para o presidente do TCE/AM, Ari Moutinho, a participação e o controle social no Amazonas precisa avançar a passos largos, mesmo considerando as dimensões continentais do estado e as distâncias entre a população e os espaços de controle social. "Atualmente, apesar das distâncias, existem mais recursos para a participação da população, como o envio de denúncias via aparelhos móveis. As demandas e denúncia podem ser encaminhadas aos órgãos da Rede de Controle. O nosso objetivo é ter o controle dos gastos e dos investimentos, para que eles cheguem efetivamente à qualidade de vida no estado", afirmou.
10 Medidas Contra a Corrupção – No painel “10 Medidas Contra a Corrupção – Desafios à sua aprovação e implementação”, o procurador-chefe do MPF/AM, Edmilson Barreiros, apresentou um panorama geral sobre o contexto da campanha e comentou o que chamou de "projetos da calada da noite" - em referência à votação para a aprovação do projeto feita na madrugada da última quarta-feira, 30 de novembro, na Câmara dos Deputados - onde o pacote foi desfigurado, perdendo seis de suas propostas.
"O projeto, do jeito que passou (na Câmara), não torna o sistema mais eficiente e nem mais rápido. O que foi decidido são apenas medidas cosméticas", comenta o procurador. Apesar dos impasses, o procurador da República destacou que a sociedade vive um novo momento, o qual atribuiu ao que considera o maior ganho sociopolítico da Lava Jato: o incômodo da sociedade com a corrupção.
Durante o evento, os órgãos tiveram oportunidade de se apresentar à sociedade civil, relatando suas atribuições e funções na Rede. Representantes de associações, sindicatos e cidadãos tiveram oportunidade de se manifestar e fazer perguntas durante uma Tribuna Popular.
O MPF/AM, a Controladoria-Geral da União (CGU/AM), o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP/AM), a Secretaria Municipal de Finança (Semef) e o Ministério Público de Contas do Estado do Amazonas (MPC/AM) estiveram em estandes realizando orientação e distribuição de materiais de controle.
Conheça as 10 Medidas contra a Corrupção
Documentos da Campanha
Acesse aqui: ficha de assinatura, carta de apoio, íntegra das propostas legislativas, sumário executivo e resumo das medidas.
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Perguntas e Respostas
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